HISTORIA ECONÔMICA – A Crise Brasileira de 2015

A CRISE BRASILEIRA DE 2015

Dilma e Joaquim Levy

A atual crise brasileira, diferentemente do que muita gente supõe, começou mesmo em 2015 (e não antes) e decorre exclusivamente da retirada das escoras (elenco de medidas de caráter econômico que foram adotadas pelo ministro da fazenda anterior, Guido Mantega, sob a inspiração das propostas elaboradas pelo seu secretario de politica econômica, Nelson Barbosa, que acaba de assumir aquele ministério), como redução tributaria sobre produtos com demanda reprimida e elasticidade preço (com capacidade potencial de fazer crescer as vendas e geração de riqueza se o preço for reduzido), como carros populares, motos populares, bicicletas, linha branca de eletrodomésticos, e financiamento de programas e atividades que gerem empregos (como minha casa minha vida ) e também subsídios a algumas atividades rurais, notadamente as da agricultura familiar (que precisam ser subsidiadas),  escoras aquelas que, como veremos adiante,  inadvertidamente foram retiradas pelo ministro Joaquim Levy.A - Escoras na Economia BrasileiraTem-se que explicar que, embora aquelas escoras fossem importantes para manter a atividade econômica em funcionamento, não eram suficientes para fazê-la dar saltos de produção e crescimento, devido à desfavorabilidade do cambio (indispensável a um processo acelerado de crescimento, que tenha como uma das suas ferramentas a exportação), que permite a inundação do mercado interno de produtos indústrias orientais, ao tempo que também não nos confere capacidade competitiva, quanto ao preço, para exportar o produto manufaturado brasileiro para outros mercados.

Enfim. As escoras, ou elenco de medidas econômicas, eram fundamentais para manter a atividade econômica em giro, mas insuficientes para fazê-la crescer sem uma politica cambial adequada.

A esse respeito, a política econômica complementarmente adequada seria a desvalorização do real, a ponto de permitir o barateamento do produto manufaturado brasileiro no exterior (para concorrer com o equivalente vindo de outros lugares, como fazem os  orientais) e tornar o produto importado muito caro em relação ao nacional, dentro do mercado brasileiro.

Importante sabermos que contra a desvalorização do real se apresentava, como principal opositor, a Petrobras, que, por gestões temerárias do passado, estava obrigada a importar, tanto petróleo (para complementar o volume de matéria prima, dentro da capacidade instalada de processamento nas refinarias próprias), como produtos derivados  (visto a demanda brasileira ser superior à capacidade interna de processamento da Petrobras), que, com o cambio alto, invariavelmente sofreria encarecimento na internação.

O governo tinha como  meta declarada segurar os preços e manter baixa a inflação anual  (meta de 4,5% ao ano) e, com a desvalorização, o efeito multiplicar de repasse de preços seria absolutamente certo e previsível.

Resumindo, embora o nível de emprego fosse alto, não crescíamos porque não podíamos mexer no cambio e desvalorizar o real porque, embora fosse necessária, traria consequências inflacionarias que o governo temia.  No entanto a economia estava em funcionamento, embora não fosse possível crescer.

Com a mudança de ministros da área econômica, em 1º de janeiro de 2015, o que assumiu a fazenda, Joaquim Levy, que tem formação acadêmica em finanças, PhD em Michigan, berço da teoria monetarista (cujo objetivo é fazer lucro na atividade privada e superávit na atividade publica) incorreu em visível equivoco estratégico, ao não  considerar as peculiaridades da economia brasileira que recebia para administrar, que a permitiam manter alto nível de emprego, mas, por serem incompletas, também  a impedia de crescer, imaginou que se conseguisse imprimir superávit no orçamento e controle da base monetária (volume de dinheiro em circulação), como pregam os monetaristas, em pouco tempo a economia, através da ação dos agentes econômicos atuantes e guiados pela mão invisível do mercado, faria com que a economia começasse a crescer!

Dedicou-se, para fazer superávit, então a desmontar uma a uma as escoras que permitiam a economia brasileira, embora estagnada, ou de baixo crescimento, ter elevado nível de emprego. A consequência natural foi o surgimento de redução de vendas e do desemprego nos setores que eram mantidos artificialmente (como se houvesse sido retirada a aspiração de oxigênio num paciente que não poderia prescindir dele para sobreviver).

É preciso entender que um processo de desemprego numa economia torna-se contagioso pelo seguinte corolário: redução de emprego e de posto de trabalho geram redução de renda pessoal e familiar que, por sua vez, baixam os níveis de  consumo, fazendo com que os setores mais atingidos passem a jogar mais gente desempregada no mercado, além de reduzir a receita fiscal nos três níveis (municipal, estadual e federal).

Portanto, o desemprego, por ser contagioso, é extremamente preocupante para a atividade econômica, como um todo. Mas, o ministro Levy não levou consideração esse aspecto e continuou, em sua fixação de fazer superávit primário nas contas governamentais, a desmontar uma a uma as amarras que mantinham a atividade econômica em giro, como redução tributaria sobre produtos com demanda reprimida (capacidade potencial de crescer em vendas e geração de riqueza), isto é, carros populares, motos populares, linha branca de eletrodomésticos, e financiamento de programas e atividades que gerem  empregos (como minha casa minha vida) e também subsídios a algumas atividades rurais, notadamente as da agricultura familiar (que precisam ser subsidiadas).

Mas, ele não quis saber. Desescorou a atividade econômica brasileira, tirando um a um os apoios, que adequada e estrategicamente foram colocados.

A consequência não poderia ser outra senão recessão, ou seja, redução dos níveis de consumo pessoal e familiar, redução da produção nacional e redução da arrecadação fiscal.

Com a queda da arrecadação fiscal, ele, Joaquim Levy pensou em equilibrá-la reinventando tributos, como o CPMF.

Obvio que a opinião publica ficou contra ele e, principalmente, contra o governo da sua chefe.

Ele, o ministro, ao invés de pedir demissão, no máximo até o final do primeiro semestre, insistiu em seu modelo equivocado, dessa feita alegando que a culpa era da sociedade em não aceitar a elevação da carga tributaria, e proferindo asneiras publicas do tipo “pagar imposto é bom e necessário ao pais”!

AS CRISES ECONÔMICAS DOS ANOS 1930 E EM 2008 NOS EUA.

ANOS 1930A - O Desemprego da Decada de 1930

O grande crack na Bolsa de Nova York, em 24 de outubro 1929, que em poucos meses provoca a maior e mais intensa depressão econômica de todos os tempos, encontra a teoria econômica inteiramente despreparada para prescrever remédios para o cataclisma econômico que adviu, dias depois.

Em poucos meses, o desespero econômico, se alastra à toda economia americana (através dos Bancos que transmitem a falta de liquidez – incapacidade de honrar compromissos – a todos os agentes econômicos), para depois atingir, pelo efeito dominó, grande parte das nações do mundo, inclusive o Brasil.  Estes pressupostos e exigências para a ocorrência de um grande desastre econômico (concentração de renda e existência de mega conglomerados econômicos) se repetem hoje e são tolerados como uma coisa absolutamente normal, para inquietação de muitos.

Assim, aquele grande crack de 1929 surpreendeu os economistas cochilando em seu mundo idealizado. Para eles a depressão que veio a seguir não iria durar muito (como estranhamente hoje é o pensamento dominante, inclusive pelas autoridades monetárias brasileiras, em relação à crise monetária surgida em agosto de 2007 na NYSE)  e as forças do mercado sozinhas fariam a recuperação da economia e tudo voltaria ao normal.  Ledo engano, a prática provou depois! Naquela época, 1929, como hoje em 2015, havia ações negociadas na Bolsa de Nova York (NYSE) cujas empresas há muito vinham acumulando prejuízos, mas, como o grande público não sabia a real situação, por motivos especulativos eram mantidas sobrevalorizadas. Ninguém queria assumir o prejuízo, que de fato já existia, se aqueles papéis começassem a cair. A este fenômeno, os economistas chamam de bolha especulativa.

De uma hora para outra, a bolha estourou, os papéis podres (ou subprime) começaram a desabar em cotação: grandes bancos, seguradoras e empresas de crédito que tinham ativos financeiros naqueles papéis, passaram, pelo efeito manada, a tentar se livrar, freneticamente, deles, pretendendo não aumentarem os prejuízos que já estavam tendo.  Aquilo fez com o índice geral (média ponderada) começasse a cair também. E, quanto mais caía o índice geral ponderado, mais rapidamente eles (grandes aplicadores) tentavam vender indistintamente as suas posições em ações (agora qualquer uma), o que mais, e mais, agravava a situação…

Logo, alguns bancos seguidos por algumas grandes empresas começaram a fechar as suas portas e jogarem milhares de pessoas no desemprego. Com a elevação do índice de desemprego, as vendas e o consumo caíam e também caía o recolhimento de impostos.

 Ninguém sabia o que fazer. Era o desespero que crassava as ruas e os lares. Eram longas filas de desempregados para receberem cotas de alimentação, o que se via. Crescia o índice de suicídios e de criminalidade. As importações caíam. Mesmo a de alimentos.  No Brasil, o governo federal (governo Getúlio Vargas) foi obrigado a comprar grandes estoques de café em mãos dos produtores (e queima-los em seguida) para segurar à atividade e evitar um grande desemprego na zona rural. Nos Estados Unidos, a década de 1930 registra a maior e mais longa depressão econômica de todos os tempos. Durou dez anos o longo período de redução da atividade econômica, ano a ano. No biênio 1930/31 a atividade econômica chegou a ser reduzida em quase 50% em relação ao período anterior. E permanece economicamente depressiva (nível de desemprego superior a 12% aliado à reduzidíssima atividade produtiva), pelo menos até 1939.

Quando parecia que tudo estava perdido, surgiu, felizmente, o brilhante economista inglês John Maynard Keynes que, ao publicar, em 1936,  o seu clássico “A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”, se contrapõe totalmente à ideologia neoclássica e  propõe que o governo passasse a ter uma participação ativa na economia, como farol e indutor do que fazer para interromper o processo depressivo e garantir a retomada do crescimento econômico. A teoria keynesiana dispunha-se a reformular e reorganizar a teoria econômica de alto a baixo.

Ao contrário dos neoclássicos, cuja preocupação maior era a microeconomia, Keynes se voltou para a questão macroeconômica, ou seja, a análise da economia como um todo.

Arguia Keynes que as empresas e os consumidores desempenham duas funções marcantes:

  1. Como produtoras, fornecem mercadorias e pagam rendimento às pessoas sob a forma de salários, alugueis, juros e lucros.
  2. Como consumidores por sua vez, dispendem dinheiro na compra de produtos e mercadorias de uma maneira geral.

Assim se estabelece um fluxo circular, com rendas fluindo dos produtores aos consumidores (pelos bens que produzem) para depois voltar aos produtores (pelas receitas decorrentes das vendas dos mesmos bens).

Enquanto os empresários puderem vender todas as suas mercadorias com um lucro razoável, esse processo circular não se interrompe, concluía Keynes.

Entretanto, advertia que alguns desvirtuamentos (na constância e intensidade deste fluxo) poderão surgir e foram chamados de “saída de recursos (ou desencaminho) para o total de gastos pessoais ”, dentre os quais:

  1. Uma parte da renda dos indivíduos será poupada e depositada em instituições financeiras;
  2. Uma parte destinada ao governo como impostos; e
  3. Uma parte dispendida em mercadorias importadas.

Para contrabalançar aqueles desvirtuamentos nas saídas (ou desencaminhamento de recursos que poderiam ser utilizados na compra de mercadorias produzidas dentro do país, sugere três entradas de recursos para reforço nos gastos pessoais:

  1. Criação de empréstimos para investimentos e consumo mesmo, aliados à politica de juros baixos;
  2. Elevação dos gastos governamentais em áreas que possam gerar emprego;
  3. Exportações (vendas para outras países), que depende também de cambio favorável.

Quando as saídas forem menores que as entradas, a procura para compra de produtos tornar-se-á maior que a oferta dos mesmos e a produção e o emprego necessitarão crescer.

Para elevação da renda nacional, Keynes atribui o papel ativo à demanda agregada (incremento na procura), enquanto que a oferta agregada  teria um papel passivo, dependente do primeiro.

Para resolver o problema de elevadas taxas de desemprego, Keynes dizia que o governo teria que entrar no processo e aumentar as suas despesas agregadas na economia, valendo-se de políticas fiscais e monetárias.

A política fiscal seria via a adoção de déficits orçamentários (gastos maiores que a receita). Já a monetária estimularia investimentos em áreas que trariam o surgimento de novos empregos, como a construção civil, por exemplo.

Resumindo, no modelo keynesiano, o governo deve permanentemente ser indutor do processo econômico, ao invés da mão invisível do mercado, e, em tempo de recessão, deve adotar política fiscal, com expressivo aumento nos gastos governamentais expansionistas, para reativar a atividade econômica, mesmo que surjam déficits orçamentários.

A declaração de guerra contra o Japão, à Alemanha e à Itália foi, por assim dizer, a sopa no mel, no processo de recuperação econômica americana. Deu sentido e direção aos investimentos governamentais na economia. Construção de navios, aviões, carros de combate, armas, roupas, alimentos, etc para a guerra, era só o que se via por toda parte na América.

O país inteiro foi mobilizado no esforço de guerra em que bilhões de dólares foram investidos na economia nacional, dando-lhe um extraordinário impulso.

A reformulação keynesiana nos conceitos econômicos não só recuperou a economia americana, que entrara em depressão após o crack de 1929, como foi o pensamento econômico dominante no mundo capitalista até, pelo menos, o inicio dos anos oitenta do século passado.

CRISE DE 2008

President Barack Obama looks on after announcing he is keeping Federal Reserve Board Chairman Ben Bernanke, left, for a second term, Tuesday, Aug. 25, 2009, during a news conference in Oak Bluffs, Mass. (AP Photo/Stephan Savoia)

No mercado americano, durante décadas, as empresas imobiliárias venderam habitações (casas) pra qualquer um, que se candidatasse. Não precisava muito. Bastava se apresentar, assinar a documentação e tomar posse do imóvel (hipotecado ao financiador).  Se não pagasse, seria tomado de volta pelo detentor da hipoteca!

            Na cabeça do comprador, quando comprava, era melhor pagar as parcelas do financiamento (mesmo que longo) da casa “própria” do que ficar pagando aluguel pelo resto da vida.

            Só que os imóveis (pela oferta cada vez mais crescente e material empregado, geralmente de baixa qualidade) se depreciavam e se desvalorizavam rapidamente. Em poucos anos passaram a valer bem menos do que à época em que foram adquiridos. Em contrapartida o valor do financiamento, no mesmo período, mantinha-se firme e forte. Nas alturas!

A distância do valor do que valiam comercialmente (os tais imóveis)  para o valor da dívida que tinham (com os bancos e agentes financeiros) cada dia aumentava mais.

Melhor devolvê-los aos detentores das hipotecas e se livrar da dívida que não tem correspondência ativa, passaram elementarmente a raciocinar e fazer.

 E assim foi feito!

E tome prejuízo em cima de prejuízo para as empresas imobiliárias americanas.

As suas ações em bolsa, obviamente começaram a despencar!

Os investidores (que operam através de corretores de bolsa), para compensar os prejuízos que passaram a ter, viram-se obrigados a passar a vender outros papeis estáveis para cobrir as posições com perda dos papéis podres.

A história econômica descreve como certo o fato de que, se os bancos começam a quebrar, a indústria, a agricultura e o comércio tenderão a ir atrás (em qualquer lugar do mundo, pela sincronia e globalização das economias setoriais). O desemprego, em decorrência, tomará folego e pelo efeito cascata começará a contagiar outros setores ainda imunes e o caos econômico (chamado depressão) facilmente poderá ser instalado.

Este filme já havia sido visto em decorrência do “crack de 29” do século passado, durante dez longos anos! E a economia mundial, naquela época, não era globalizada nem interdependente como hoje!

O presidente americano Barack Obama, diante da crise, evitou cometer os erros estratégicos do seu colega, Herbert Hoover, no inicio dos anos 1930, e imediatamente convidou o maior especialista em keynesianismo, o economista Ben Bernanke, para dirigir o Banco Central americano (o FED) e assessorá-lo no elenco de medidas a serem adotadas.

O que rapidamente foi posto em prática basicamente foi:

  1. a) Criação de empréstimos para investimentos e consumo mesmo, aliados à politica de juros baixos;
  2. b) Elevação dos gastos governamentais em áreas geradoras de emprego;
  3. c) Exportações (vendas para outras países), que dependia também de um cambio favorável, que, sem duvidas, para eles foi a maior dificuldade encontrada, devido ao modelo de flutuabilidade da moeda.

Enfim, o governo Obama entrou no processo econômico e aumentou as suas despesas agregadas na economia, valendo-se de políticas fiscais e monetárias.

A política fiscal passou a admitir a adoção de déficits orçamentários (gastos maiores que a receita) desde que aqueles gastos resultassem na criação de novos empregos e manutenção dos já existentes.

Já a monetária visava o financiamento do consumo, de forma a fazê-lo  crescer, para que as industrias e produtores fossem estimulados também  a aumentar em volume as suas produções e, por tabela, promovesse o  crescimento da receita tributaria,  que financia não só a maquina governamental como os programas que geram emprego, até que a fase de deficit fosse superada.

Com essas medidas a economia americana interrompeu a recessão e voltou, mesmo que no começo timidamente, a crescer, de forma que o ciclo, que vai da produção até a realização da receita em dinheiro, passou a girar mais rapidamente e cada vez mais com mais volume. Aquele resultado só não foi maior, devido às diculdades cambiais para que pudessem exportar. Mas, mesmo assim, os resultados são positivos e hoje já se pode dizer que a crise americana passou, desde que mantidas as medidas adotadas para reversão da tendência recessiva.

A FORMA ADEQUADA DE SE REVERTER UMA CRISE ECONÔMICA.

Nas edições anteriores, vimos que, na macroeconomia, as econômicas livres aplicam dois tipos de modelo econômico:

 JOHN KEYNES

  1. a) 0 mais usado, chamado de keynesianismo, que prega que o estado deve intervir na economia, planejando e controlando-a, pari passu, ou simultaneamente com a iniciativa privada, de forma a que o índice de emprego seja maximizado.

Este modelo fundamenta-se que quando há emprego, há renda, há consumo, há produção e há receita tributaria para o estado.

Na medida em que o ciclo, que vai do produtor ao consumidor, diminua em tempo, ou seja acelerado, automaticamente a economia cresce na mesma proporção.

Defende o pressuposto de que em épocas de crise, o estado possa conviver com déficits orçamentários, equilibrados com empréstimos obtidos com títulos públicos ou tomados diretamente a instituições financeiras, desde que  ele, o déficit público, redunde na elevação da oferta de empregos.

As maiores críticas a esse modelo são a que, quando se atinge níveis próximos do pleno emprego, surge uma acomodação e a economia não cresce mais ou, quando o faz, é muito timidamente.

Há também a critica, baseado no registro histórico, de que o estado participando ativamente do processo econômico, termina não resistindo e entra em atividades de deveriam ser puramente empresariais, e que com ele, o estado, invariavelmente vai provocar má aplicação do dinheiro vindo dos contribuintes, pois o estado além de tender a ser lerdo e acomodado, empresarialmente tende a ser apadrinhador de políticos e afins, do partido governamental, que, muitas vezes, nem capacitados estão, para exercer as funções em que são colocados.

  1. b) O outro, chamado de monetarismo, é o que não admite, em nenhuma hipótese ou circunstância, a participação do estado na economia, afirmando que as forças da oferta e da procura, que atuam no mercado, fazem com que os interesses dos produtores e dos consumidores convirjam naturalmente para um ponto de equilíbrio

 MILTON FRIEDMAN

Afirma que o estado, fora as obrigações que têm em manter o volume de dinheiro em circulação compatível com as necessidades da economia, só devem controlar a segurança, a justiça e as despesas orçamentárias, essas últimas estritamente em consonância com o que arrecada.

Fora disso, segundo creem, as forças do mercado, através da sua mão invisível, tudo controlará!

A maior critica a esse modelo é que, com a falta de regulação, as forças das ofertas tendem a se concentrar nas mãos de poucos, criando mega empresas, que terminam por administrar os preços às suas conveniências de lucratividade, o que gera também a concentração de renda em mãos de alguns, apenas.

Há também a questão de que com o surgimento de mega empresas, a economia com um todo, torna-se mais vulnerável a crises econômicas, que dependendo de como sejam encaradas podem ser extremamente profundas e nefastas, como as de 1929 e 2008 bem o demonstraram.

AFINAL, QUAL É O MELHOR MODELO?

A resposta está no nível de desenvolvimento em que a economia esteja!

A pratica tem  evidenciado  que as economias que aplicam o modelo keynesiano ficam bem menos expostas a crises econômicas, o que nas livres da presença do estado, defendidas por Friedman, ocorrem com bem mais frequência.

O que é certo é que se a economia de um pais já atingiu um determinado grau de bem estar, mas não consegue mais fazer crescer a sua atividade econômica, embora goze de um elevado grau de satisfação e de qualidade de vida para os seus cidadãos, a desregulação e redução da presença do estado na economia, pode  sim permitir que os instintos empreendedores (enunciados por Smith) se sintam mais livres e guiados apenas por interesses próprios, dirigindo o seu capital, a força do seu trabalho e a sua capacidade de consumo para onde possam ter o melhor aproveitamento possível.

Mas, diante de um quadro critico, ou mesmo quando as forças do mercado (oferta e procura de bens e serviços) não atuam bem, ou estão de alguma forma contidas, como é o caso brasileiro, que tem, a meu juízo, que conviver e tolerar uma Petrobras (maior problema atual da economia brasileira) que interfere na liberdade mercadológica (por ser monopsônica na compra do óleo cru e derivados, ao mesmo tempo que também é monopolista no processamento do petróleo e distribuição primária dos derivados) manipulando os preços dos produtos finais à sua conveniência, já que concorrência não sofre, não se pode pensar em abandonar o keynesianismo e adotar o monetarismo, sem antes se corrigir o que impede que as forças do mercado possam atuar livremente.

Além disso, inúmeras outros atrasos da economia brasileira, só poderiam ser minimizados, ou mesmo eliminados, pela ação de politicas estatais que visem primeiramente o emprego e, em seguida, a formação e o aperfeiçoamento da mão de obra, para que possa melhorar os índices de produtividade e de renda pessoal.

Essa noção é tão importante que os Estados Unidos, que desde a década de 1980, ou melhor, desde a era Ronald Reagan, trabalharam incessantemente para desregular a atividade econômica e adotar as praticas monetaristas de controle da base monetária (volume dinheiro em circulação), embora sofressem de renitente déficit orçamentário, financiado a baixas taxas de captação de dinheiro emprestado (via oferta de títulos do tesouro americano), ao se defrontar com a crise de 2008, não foram atrás de conversas do tipo “vamos primeiro por em ordem o orçamento, cuidar das finanças publicas e esperar que o mercado ajuste as forças  de oferta e procura” na atividade econômica.

Obama, diante da seria crise que poderia descambar para uma depressão descontrolada,  sensatamente chamou especialistas em keynesianismo, sendo que ao maior dele (Bem Bernanke) entregou o banco central americano para planejar a politica monetária visando a saída da crise, o que, hoje, se pode dizer que foi conseguido!

A CRISE BRASILEIRA DE 2015

A atual crise brasileira, diferentemente do que muita gente supõe, começou mesmo em 2015 (e não antes) e decorre exclusivamente da retirada das escoras (elenco de medidas de caráter econômico que foram adotadas pelo ministro da fazenda anterior, Guido Mantega, sob a inspiração das propostas elaboradas pelo seu secretario de politica econômica, Nelson Barbosa, que acaba de assumir aquele ministério), como redução tributaria sobre produtos com demanda reprimida e alta elasticidade preço (com capacidade potencial de fazer crescer as vendas e geração de riqueza se o preço for reduzido), como carros populares, motos populares, bicicletas, linha branca de eletrodomésticos, e financiamento de programas e atividades que gerem empregos (como minha casa minha vida) e também subsídios a algumas atividades rurais, notadamente as da agricultura familiar (que precisam ser subsidiadas),  escoras aquelas que  inadvertidamente foram retiradas pelo ex-ministro Joaquim Levy.

Tem-se que explicar que, embora aquelas escoras fossem importantes para manter a atividade econômica em funcionamento, não eram suficientes para fazê-la dar saltos de produção e crescimento, devido à desfavorabilidade do cambio (indispensável a um processo acelerado de crescimento, que tenha como uma das suas ferramentas a exportação), que permite a inundação do mercado interno de produtos indústrias orientais, ao tempo que também não nos conferia capacidade competitiva, quanto ao preço, para exportar o produto manufaturado brasileiro para outros mercados.

Enfim. As escoras, ou elenco de medidas econômicas, eram fundamentais para manter a atividade econômica em giro, mas insuficientes para fazê-la crescer sem uma politica cambial adequada.

A esse respeito, a política econômica complementarmente adequada seria a desvalorização do real, a ponto de permitir o barateamento do produto manufaturado brasileiro no exterior (para concorrer com o equivalente vindo de outros lugares, como fazem os orientais) e tornar o produto importado muito caro em relação ao nacional, dentro do mercado brasileiro.

Importante sabermos que contra a desvalorização do real se apresentava, como principal opositor, a Petrobras, que, por gestões temerárias do passado, estava obrigada a importar, tanto petróleo (para complementar o volume de matéria prima, dentro da capacidade instalada de processamento nas refinarias próprias), como de produtos derivados (visto a demanda brasileira ser superior à capacidade interna de processamento da Petrobras), que, com o cambio alto, invariavelmente sofreria encarecimento na internação.

O governo tinha, como meta declarada, que segurar os preços e manter baixa a inflação anual  (meta de 4,5% ao ano) e, com a desvalorização, o efeito multiplicar de repasse de preços seria absolutamente certo e previsível.

Resumindo, embora o nível de emprego fosse alto, não crescíamos porque não podíamos mexer no cambio e desvalorizar o real porque, embora fosse necessário, traria consequências inflacionarias que o governo temia.

No entanto a economia estava em funcionamento, embora não fosse possível crescer.

OS MINISTROS JOAQUIM LEVY E NELSON BARBOSA.

JOAQUIM LEVY

Com a mudança de ministros da área econômica, em 1º de janeiro de 2015, o que assumiu a fazenda, Joaquim Levy, que, embora engenheiro naval, tem formação acadêmica em finanças, PhD por Chicago University, berço da teoria monetarista (cujo objetivo é fazer lucro na atividade privada e superávit na atividade publica) incorreu em visível equivoco estratégico, ao não  considerar as peculiaridades da economia brasileira, que recebia para administrar, que a permitiam manter alto nível de emprego, mas, por serem incompletas, também  a impedia de crescer, imaginou que se conseguisse imprimir superávit no orçamento e controle da base monetária (volume de dinheiro em circulação), como pregam os monetaristas, em pouco tempo a economia, através da ação dos agentes econômicos atuantes e guiados pela mão invisível do mercado, faria com que a economia começasse a crescer!

Dedicou-se, para fazer superávit, então a desmontar uma a uma as escoras que permitiam a economia brasileira, embora estagnada, ou de baixo crescimento, ter elevado nível de emprego. A consequência natural foi o surgimento de redução de vendas e o aparecimento do desemprego nos setores que eram mantidos artificialmente (como se houvesse sido retirada a aspiração de oxigênio num paciente que não poderia prescindir dele para sobreviver).

É preciso entender que um processo de desemprego numa economia torna-se contagioso pelo seguinte corolário: redução de emprego e de postos de trabalho geram redução de renda pessoal e familiar que, por sua vez, baixam os níveis de  consumo, fazendo com que os setores mais atingidos passem a jogar mais gente desempregada no mercado, além de reduzir a receita fiscal nos três níveis (municipal, estadual e federal).

Portanto, o desemprego, por ser contagioso, é extremamente preocupante para a atividade econômica, como um todo.

Mas, o ministro Levy não levou consideração esse aspecto e continuou, em sua fixação de fazer superávit primário nas contas governamentais, a desmontar uma a uma as amarras que mantinham a atividade econômica em giro, como redução tributaria sobre produtos com demanda reprimida (capacidade potencial de crescer em vendas e geração de riqueza), isto é, carros populares, motos populares, linha branca de eletrodomésticos, e financiamento de programas e atividades que gerem  empregos (como minha casa minha vida) e também subsídios a algumas atividades rurais, notadamente as da agricultura familiar (que precisam ser subsidiadas).

Mas, ele não quis saber!

Desescorou a atividade econômica brasileira, tirando um a um os apoios que, adequada e estrategicamente, foram colocados.

A consequência não poderia ser outra senão recessão, ou seja, redução dos níveis de consumo pessoal e familiar, redução da produção nacional e redução da arrecadação fiscal.

Com a queda da arrecadação fiscal, ele, Joaquim Levy pensou em equilibrá-la reinventando tributos, como o CPMF.

Obvio que a opinião publica ficou contra ele e, principalmente, contra o governo da sua chefe.

Ele, o ministro, ao invés de pedir demissão, no máximo até o final do primeiro semestre, insistiu em seu modelo equivocado, dessa feita alegando que a culpa era da sociedade em não aceitar a elevação da carga tributaria, e proferindo asneiras publicas do tipo “pagar imposto é bom e necessário ao pais”!

NELSON BARBOSA (ATUAL MINISTRO DA FAZENDA)

Em janeiro de 2015, quando Joaquim Levy assumia o ministério da fazenda, Nelson Barbosa assumia o ministério do planejamento.

Obviamente não poderiam se dar bem, vez que enquanto Joaquim Levy é da Escola de Chicago, que prega a completa liberdade dos agentes econômicos, sendo que o estado deve ficar longe da atividade econômica, limitando-se apenas às tarefas de controle do volume de dinheiro em circulação, que segundo eles, se posto adequadamente, fará com que os agentes econômicos se ajustem e promovam o crescimento econômico, Nelson Barbosa é da linha keynesiana, que, ao contrario, prega que o estado deve sim pilotar a economia e principalmente promover ajustes nela, economia, que promova a geração de empregos, start do modelo de desenvolvimento defendido por eles, keynesianos.

Os embates técnicos entre os dois eram frequentes, devido às filosofias opostas de trabalho.

Na maioria das vezes os argumentos de Barbosa eram mais convincentes, e aceitos por Dilma e sua corte palaciana, a ponto de ficar impossível a permanência dos dois à frente da politica econômica, fato esse que fora corroborado pela recessão provocada por Levy ao retirar as escoras subsidiarias que faziam com que o emprego se mantivesse em alta.

Nelson Henrique Barbosa Filho  é economista e professor de economia.

Foi Secretário Executivo do Ministério da Fazenda entre 2011 a 2013.

É professor titular da Escola de Economia de São Paulo da FGV, professor Adjunto do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE/FGV).

Graduado em economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com mestrado pela FGV e doutorado e pós-doutorado pela New School for Social Research em Nova Iorque.

Anteriormente à função de Secretário Executivo no Ministério da Fazenda, Barbosa exerceu diversos cargos na administração Federal, incluindo Secretário de Acompanhamento Econômico (2007-2008) e Secretário de Política Econômica (2008-2010), no Ministério da Fazenda.

Foi também Presidente do Conselho do Banco do Brasil (2009-13) e Membro do Conselho de Administração da Vale S.A. (2011-13).

Suas experiências no governo incluem passagens pelo Banco Central do Brasil (1994-97), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (2005-06) e Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (2003).

Com Nelson Barbosa, a politica econômica a ser desenvolvida será seguramente a do emprego. Ele vai mover céus e terras para recuperar o que Levy fez para destruí-lo, referindo-me ao emprego.

Obviamente a sua tarefa será árdua, mas diferentemente do Levy, ele é do ramo!

Eu, pessoalmente, penso que Dilma é confusa e sem preparo para ser presidente, além de indisciplinada quanto às normas legais a serem cumpridas, independentemente de não ter a menor noção de como deve fazer para nos tirar da crise econômica, que ela, via o seu ministro Joaquim Levy nos meteu.

Mas, não há, no Brasil, ninguém mais adequado a corrigir a devastação no emprego o que o seu antecessor provocou. Ele conhece a máquina, conhece a ela, Dilma, e principalmente conhece teoria econômica!

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