RESUMO DA COLONIZAÇÃO BRASILEIRA EM RELAÇÃO À COSTA DO DENDÊ – 1ª. PARTE

A nossa Costa do Dendê, incrustada na Capitania dos Ilhéus,  entre a Capitania da Bahia, ao norte, e a Capitania de Porto Seguro, ao sul, onde hoje vivemos estava incrustada na donataria ou Capitania dos Ilhéus, que medindo 50 léguas (300 quilômetros) no litoral, começava na foz do rio Jaguaribe (aqui bem pertinho) e ia até a barra do rio Poxim, nas proximidades da ilha de Comandatuba, onde hoje há um portentoso empreendimento turístico-hoteleiro, que tem o mesmo nome. Aliás, aqueles marcos históricos bem que poderiam  ser mais valorizados turisticamente, se preocupação com o turismo houvesse mesmo por aqui!.

A Capitania de Ilhéus foi concedida a Jorge Figueiredo Correia, escrivão da Fazenda Real e  um dos homens mais ricos de Portugal da época, sendo que o foral de sua capitania lhe foi outorgada no dia 1º de abril (coincidentemente, hoje tido como o dia da mentira!) de 1535.

Segundo Gilberto Freyre, o ambiente em que começou a vida brasileira foi de intoxicação sexual. O europeu saltava na terra tupiniquim escorregando em índia nua. Os padres precisavam ter cuidado redobrado, senão atolavam o pé em carne morena. A tentação dos tropicos era demais. Muitos foram os clérigos que se deixaram contaminar pela devassidão,  já que segundo a voz corrente, não havia pecado no lado de baixo do Equador. Era o deleite carnal no paraíso!

O padre José de Anchieta, sobre isto, assim se refere: “Las mujeres andan desnudas y no saben negar a ninguno mas aun ellas mismas acometen y importunan los hombres hallandose com ellos em las redes, porque tienen por honra dormir com los Xianos.”

As mulheres índias, nos relatam Gilberto Freyre e Sergio Buarque de Holanda,  eram as primeiras a se entregarem aos brancos. As mais ardentes íam logo se esfregar nas pernas brancas daqueles homens diferentes (do que conheciam até então), já que elas, em sua ingenuidade e em maravilhosa permanente nudez, consideravam os europeus como deuses e se entrelaçarem com eles! Era para elas uma espécie de ato de honra! Mas, davam-se também ao europeu por um pente ou um caco de espelho.

Mas, o amor, diz o mestre Freyre, era só físico; com gosto só de carne, dele resultando filhos que os pais cristãos pouco se importaram de educar ou de criar à moda européia ou à sombra da igreja. Meninos e meninas cresceram à toa, pelo mato; alguns tão ruivos e de pele tão clara, que descobrindo-os mais tarde a eles e a seus filhos entre o gentio (indios pagãos, não cristãos e não civilizado) os colonos facilmente os identificavam como descendentes de normandos e bretões, ao invés de indios puros ou mestiço portugues, geralmente de sangue mouro, que lá ficaram durante sete séculos.

Não só os portugueses, mas também os franceses e de outras nacionalidades que aqui vinham, deram-se na nova terra ao luxo que na Europa só os nobres e burgueses ricos era possível ter: o de se cercarem de muitas mulheres.

Se da numerosa progênie mestiça, muitos foram absorvidos pelas populações tupiniquins, outros conservaram-se numa espécie de meio-termo entre a vida selvagem e a dos traficantes e flibusteiros, que aqui vinham em desobediência ao Tordesilhas.

FASE INICIAL E HÁBITOS CRIADOS NAQUELA ÉPOCA

A colonização do Brasil, com a instalação de empreendimentos agro-exportadores açucareiros, chamados engenhos de açúcar.

Aqui se produzia açúcar de cana que, na Europa, era refinado e comercializado, por comerciantes holandeses, a preços elevados.

Ainda hoje, aqui na Costa do Dendê, a maior marca física daquele ciclo é a coincidência de todas aquelas cidades estarem localizadas no interior de rios navegáveis, como Cachoeira, São Félix, Maragogipe, Nazaré, Aratuípe, Jaguaripe, Valença, Taperoá, Nilo Peçanha, Cayru, Ituberá, Camamu, por exemplo, ao invés de se situarem no litoral, como seria normal e desejável, para a facilitação logística.

Isto se deve ao fato de que são oriundas de povoados nas cercanias dos engenhos de açúcar, que depois se transformaram em vilas e depois em cidades, onde o português colonizador, dono do engenho, era obrigado a entrar rio adentro para se instalar, ficando assim fora do alcance visual de quem passasse pela costa.

Pretendiam, daquela forma, proteger-se da ação saqueadora de navios de outras bandeiras (holandesa, francesa e inglesa) que singravam os nossos mares, às vezes exclusivamente para realizar abordagens e pilhagens em embarcações de transporte ou em vilarejos costeiros. Era, por assim dizer, uma primária versão dos fora da lei, que hoje inferniza e atemoriza a nossa vida neste inicio do século XXI.

Sob o aspecto sociológico, havia também o hábito das pessoas de posse (os donos dos engenhos ou comerciantes que aqui vinham para melhorar de vida) esconderam os seus haveres (moedas e dobrões) em botijas enterradas nos subsolos ou no interior de paredes das casas, com medo de serem roubados e, assim, se protegerem.

Aqueles hábitos de então, também deixaram marcas profundas na cultura e no modo de agir do nosso povo, fazendo com que aqui se desconfie de quase tudo e de quase todos.

Além disto, desenvolveu-se também o gosto pelo bairrismo entre cidades e a competitividade local entre pessoas, comportamento, por assim dizer, cultural, automático e instintivo.Aquele ciclo de crescimento durou aproximadamente 1 século, isto é, de 1550 até 1650, período em que os holandeses enviaram tropas para invadir as duas áreas mais importantes de produção de açúcar no Brasil, respectivamente a Bahia (1624 a 1630) e Pernambuco (1630 a 1654). Como os holandeses, que já tinham o controle do refino e da comercialização do açúcar na Europa, queriam também garantir a produção no novo mundo, fato este motivado pela súbita transferência da coroa portuguesa às mãos do rei de Espanha, com quem a Holanda e a Inglaterra estavam em guerra.

O declínio da atividade agro-exportadora açucareira trouxe-se como reflexo imediato o empobrecimento não apenas da nossa região, mas também do resto da colônia brasileira, que mergulhou em estagnação econômica absoluta, quando o país ainda estava nascendo e armado o forro da civilização brasileira – e em particular o desta região  -.

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