RESUMO DA COLONIZAÇÃO BRASILEIRA EM RELAÇÃO À COSTA DO DENDÊ – 7ª. PARTE

OS DIAS DE HOJE

Até 2012, cento e noventa anos foram passados desde o momento em que um português rebelde, com poderes monárquicos (que não quis atender à ordem de regressar imediatamente a Portugal para assumir um trono que lhe fora reservado), nos livrou do jugo colonial português e, ao mesmo tempo, cento e vinte e três anos decorreram desde que um golpe de estado trouxe para a nossa vida uma república centralizadora (com um único político exercendo as funções de chefe de Estado e chefe de Governo, quando ao mesmo tempo os recursos são centralizados para depois serem distribuídos aos Estados e Municípios).

Nos primeiros anos de nação independente, o país foi alvo de tentativas revanchistas portuguesas que tentaram nos fazer voltar a condição de colônia e houve lutas sangrentas com mortes, dos dois lados, até que um milionário acordo, em que o Brasil assumia dividas externas de Portugal junto à coroa inglesa deu-nos a independência política.

Só que o nosso primeiro imperador não era propriamente uma pessoa certa para administrar nenhum país, muito menos um que estava nascendo. Entediava-se com os despachos e a rotina política, pois a sua inclinação demonstrada era o culto ao corpo com exercícios físicos, a equitação e a marcenaria, todas elas, paixões suas, que, aliás, nunca abandonou. Seu amor pelos cavalos não se restringia a apenas montar. Chegava mesmo a cuidar, no dia a dia, arreiando, ferrando e até dando banho, tarefa consideradas impróprias para um nobre e principalmente para um herdeiro de trono europeu.

Diz-se também que D. Pedro tinha grande predileção pela vida militar, desde a infância.  Era dito no exterior, principalmente na Europa, que não havia no Brasil pessoa melhor que o Imperador Pedro no manejo das armas.

Mas, o príncipe era mesmo uma pessoa simples. Enquanto a sociedade em que convivia considerava qualquer forma de trabalho manual como algo relegado a escravos, D. Pedro não se importava em fazê-lo com as próprias mãos. Adora dar banho nos cavalos, ferrá-los e escová-los. Fazia também questão de manter uma relação direta com o povo, e sentia prazer em estar entre gente comum e com eles conversar, farrear e se divertir.

Embora a história tente retratá-lo como um ingnorantão deve haver exagero, pois era versado em latim e em matemática, disciplina pela qual era também “apaixonado”, e fora discípulo do “cultíssimo” João Monteiro da Rocha, que lhe legou a sua vasta biblioteca pessoal.Além do seu português natal, falava e escrevia em francês e latim, e compreendia bem o inglês e o alemão.

Com as crises políticas que surgiam, cada vez mais se desencantava da função de imperador, até que resolve largar tudo e abdicar as duas coroas de que era herdeiro (a portuguesa, em 1826, para a filha  Maria da Glória, e a brasileira para o filho Pedro II, em 1831).

Mas, tem-se que fazer justiça ao fato de que a sua Constituição, promulgada em 1824 só sofreu uma única grande modificação em 1834 (que incorpora à nossa vida o avançadíssimo, para a época, parlamentarismo, em que o país passa a ser administrado por um Conselho de Ministros em que o presidente era uma espécie de primeiro ministro dos dias atuais) e perdurou por todo o Império e ao ser extinta em 1889, era a terceira mais antiga ainda em vigor no mundo.

Contudo, segundo a opinião de alguns historiadores, o grande legado de Pedro I foi ter garantido a integridade territorial de um Império de proporções continentais, permitindo aos habitantes de regiões longínquas considerarem-se desde então pertencentes a uma única nacionalidade: a brasileira.

Indo embora Pedro I, para morrer poucos anos depois de tuberculose, o sucessor no trono brasileiro, Pedro II, construiu em torno de si uma aura de simpatia e confiança entre os brasileiros. Era culto, conciliador e moderno. É de sua autoria a frase atualíssima que diz: “Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro”.

E chegando aos dias de hoje, a forma política de administrar o país manteve-se (a exemplo de todo o continente americano, com exceção única da evoluído Canadá) Ana forma ultrapassada do presidencialismo autocrático e a política econômica, decorrente dele, é muito confusa (talvez por isso mesmo).

Por conta dos erros históricos dos nossos ancestrais, como se fosse um castigo de Deus,  a explosão da violência juvenil, em que muitos dos nossos jovens pobres, originários, em sua grande maioria, de condições de extremada pobreza, tornaram-se instrumentos da revolta, da ignorância e da brutalidade, quando julgam melhor tomar coma as próprias mãos o que o berço e a infância pobre lhe negaram, infelicitando principalmente a vida da classe média (os ricos se protegem mais) pela insegurança a que submetidos somos todos.

Mas, não bastasse isso, é rotina, hoje em dia, nas emissoras de televisão, a exibição de novelas deseducadoras, no horário nobre (refiro-me à TV Globo que nas novelas das nove da noite faz um desfile permanente de personagens delinqüentes, mentirosos, desprovidos de caráter, que querem se “dar bem” a qualquer custo ou expediente), como se isto fosse uma coisa normal, ao invés de um reprovável desvio de comportamento.

Fora disto, se dedicam, as emissoras de tevê, a noticias sensacionalistas, com tristes e horríveis crimes, que se sucedem, um atrás do outro, e invadem a nossa casa, pela obsessão televisiva de explorarem aqueles fatos, o que amargura a vida de quem com eles não é familiar. Obvio, que uma pessoa mais esclarecida, muda de canal ou desliga a TV. Mas, o povo mesmo, passa a absorver e dar audiência a aquele tipo de coisa horrenda, passando a julgar que eles podem ser normais em suas vidas.

Não se trata na imposição da censura previa, mas impor limites à obsessiva persecução de altos índices de audiência com exploração jornalística (ou novelística de fatos deploráveis), de uma forma que deseduque o povo! Não podemos esquecer que as emissoras de televisão (como as de rádio) só estão no ar por concessão governamental. Os educadores são uníssonos em dizer que o exemplo é muito mais forte do que um milhão de palavras orientadoras. Não importa se aqueles fatos deploráveis fazem parte ou não da vida dos mais infelizes. Não podemos nos esquecer também que, embora a arte retrate a vida, a vida (de hoje, pelo menos) termina imitando a arte!

Até que ponto a televisão tem o direito de deseducar um povo, com exploração freqüente de exemplos julgados reprováveis pela evolução humanística? Principalmente se considerarmos o fato de que o Brasil é um país em que mesmo os lares muito carentes, podem não ter nenhum tipo de conforto ou condições sanitárias ou razoável alimentação, mas não deixam de ter um aparelho de televisão na sala, que invariavelmente estará ligado na novela do horário nobre!

As rádios têm geralmente uma programação musical de péssima qualidade, como lamentavelmente presenciamos aqui mesmo, em Valença. Simplesmente não dá para ouvir! Embora sejamos um país riquíssimo em música popular de boa qualidade, que os jovens sequer conhecem, devido à baixa seleção a que são compulsados a ouvir e que terminam incorporando ao seu inconsciente coletivo, como componente cultural seletivo. As rádios deveriam também ter obrigação de educar o nosso povo, principalmente por ser concessão do poder público e muitas pertecerem a políticos, que deveriam se preocupar mais com o Brasil que estamos construindo!

Obvio que, além de intranqüilos em relação ao delicadíssimo estado de coisas do nosso país, independente da travestida guerra civil que assistimos ser travada entre a delinqüência e a polícia, em que frequentemente alguns profissionais da segurança pública procuram tirar proveito pessoal, em uma nova versão de pilhagem e extorsão, que a história nos conta como norma pretérita para os vencedores, fazendo com que nos sintamo-nos inseguros quanto ao futuro do país que estamos construindo para os nossos descendentes.

Hoje em dia, os governos que se sucedem (refiro-me até o governo passado) optam (melhor dizendo optavam) prioritariamente pela governabilidade deles próprios, em que era dado um lugar de destaque a quem lhes podia emprestar dinheiro, para que, assim, pudessem rolar a monumental dívida pública governamental. Felizmente, percebe-se no governo central atual uma outra preocupação, que serve de alento a quem tem retinas cansadas, com os despropósitos na maneira de governar, que até o governo passado nos dava a infeliz marca dos juros mais altos do mundo.

Em síntese, até muito pouco tempo atrás, mesmo que não soubéssemos (ou concordássemos), o setor financeiro se tornou o mais importante no país, ao invés do produtivo!

O setor exportador, que sempre trouxe divisas externas ao país (desde os primórdios, no Brasil colonial), foi perseguido durante dezesseis anos por uma política esdrúxula de cambio flutuante totalmente inadequada a um país que precisa crescer economicamente (até pelo tamanho que a sua população atingiu), já que dificulta a capacidade competitiva dos nossos produtos no exterior e torna os produtos importados relativamente baratos em relação aos nacionais, o que infelicita e engessa, também, o crescimento industrial verde-amarelo, embora todos saibam (pelo menos, os homens de governo deveriam saber) que uma competente política cambial atenta aos interesses nacionais, é uma importante ferramenta do desenvolvimento econômico e social.

A bolsa de valores, que deveria ter uma função acessória na captação de dinheiro para o setor produtivo, virou durante dezesseis anos seguidos um centro sofisticado de jogatina e engenharia financeira, em que alguns construíram fortunas bilionárias, sem nunca ter sequer produzido um simples parafuso. A evolução da bolsa de valores, que subia ou que caía, por interesses dos que a manipulavam, fora reservado destaque especial em todas as televisões e jornais, todo santo dia, até hoje, para meu desencanto.

Os chefes de governo (que acumulam retrogradamente as funções de chefe de estado, por força histórica ainda do golpe militar de 1889) podem, até agora, ficar sossegadamente até oito anos seguidos (ao invés de substituídos normalmente, se as coisas não forem bem, por convocação de novas eleições pelo chefe de Estado, como fazem nações evoluídas no mundo inteiro), enquanto que a nossa opinião publica foi influenciada por vigorosa propaganda e por políticas colaterais de cala boca, que garantiam alguma renda aos muito pobres (felizmente, pois sem elas seria muito pior para) e as crianças na rede pública de ensino passam automaticamente de ano, até terminam o segundo grau, muitas vezes sem sequer saberem ler direito, para que, assim, possam melhorar as estatísticas do nível de instrução do nosso povo, em relação a outras nações.

Doenças endêmicas, como tuberculose, hanseníase, dengue e leishmaniose ainda existem aos montes e crucificam anualmente milhões de irmãos pobres e ignorantes.

No entanto, os demógrafos anunciam, felizmente, que a população do Brasil, devido à constante queda dos índices de natalidade deverá se equilibrar em 2025, quando passaremos, a partir daí, a diminuir numericamente. Neste cálculo, aos índices de natalidade são contrapostos negativamente as taxas de mortalidade infantil, de mortalidade adulta, de infertilidade (por opção do casal ou orientação sexual, ou ainda de pessoas que se manterão solteiros sem filhos), etc. Se estes cálculos previsivos se que mostrarem verdadeiros, será uma fato alentador para o futuro do país, a partir daquele ano.

Se conseguirmos, finalmente, fazer com que o país cresça com taxas médias elevadas (10% ao ano, por exemplo, que é perfeitamente possível), o que, em conseqüência, criaríamos novos postos de trabalho e, ao mesmo tempo implantarmos maciçamente programas educacionais paralelos que permitam capacitação profissional (não apenas a educação formal de hoje) para o nosso jovem, aliado a políticas fiscais que corrijam a assustadora concentração de renda atual, poderemos nos tornar, finalmente, um bom país e uma grande nação.

Mas, precisamos, antes, nos livrar desse modelo “laissez faire”, em que ao mercado de capitais é atribuída importância maior do que a produção e a geração de emprego e de renda pessoal, como vimos estupefatos durante dolorosos dezesseis anos!

Temos também que buscar uma forma de administração pública descentralizada,

Conversando com um dos prefeitos regionais, ele me confidenciou que para conseguir mais recursos, só possível aos próximos, se aproximou do governador atual, que historicamente se posicionou partidariamente contrario, o que, antes de reprovável ideologicamente, não deixa de ser um ato inteligente. Afinal, em terra de sapos, de cócoras com eles, nos ensina a sabedoria popular!

VALENÇA E A COSTA DO DENDÊ

A colonização do Brasil, e particularmente do Recôncavo e da faixa costeira chamada de Costa do Dendê (onde está Valença), teve inicio na segunda metade do século XVI, com a instalação de empreendimentos agro-exportadores açucareiros, chamados engenhos de açúcar.  Aqui se produzia açúcar de cana que, na Europa, era refinado e comercializado, por comerciantes holandeses, a preços relativamente altos.

Ainda hoje, a maior marca física daquele ciclo é a coincidência de todas aquelas cidades estarem localizadas no interior de rios navegáveis, como Cachoeira, São Félix, Maragogipe, Nazaré, Aratuípe, Jaguaripe, Valença, Taperoá, Nilo Peçanha, Cayru, Ituberá, Camamu, por exemplo, ao invés de se situarem no litoral, como seria normal e desejável, para a facilitação logística.

Isto se deve ao fato de que são oriundas de povoados nas cercanias dos engenhos de açúcar, que depois se transformaram em vilas e depois em cidades, onde o português colonizador, dono do engenho, era obrigado a entrar rio adentro para se instalar, ficando assim fora do alcance visual de quem passasse pela costa.

Aquele ciclo de crescimento durou aproximadamente um século, isto é, de 1550 até 1650 e, ao final, com o declínio da atividade agro-exportadora açucareira, o reflexo que surgiu foi o empobrecimento, que mergulhou em estagnação econômica absoluta, período em que era construído forro eugênico da civilização brasileira do norte – e em particular o desta região -.

Mesmo depois, à margem de todo o processo econômico evolutivo brasileiro noutras regiões, com seus erros e acertos, a nossa região permaneceu estagnada, com preponderância econômica na atividade agrícola extrativa e de cultivos permanentes de baixa rentabilidade. O pouco que tem crescido é exclusivamente permitido pela atividade terciária, ou comercial. Qualquer um dos nossos produtos agrícolas tem pouca expressão macroeconômica. Em Valença, por exemplo, município de extensa área rural a atividade econômica do setor produtivo rural geral menos de 10% do PIB municipal.

O setor bancário, que por sua vez poderia agir com indutor de desenvolvimento, financiando empreendimentos que fizessem crescer à região, é formatado a atender (ou fazer negócios) com o setor varejista, particularmente em desconto de recebíveis ou administração de limites de cheques especiais. Temos que registrar que, com a abertura de agencia em Valença do Banco do Nordeste (banco de fomento, desenvolvimentista), este triste quadro deve ter contabilizado alguma melhora, a ser avaliado, de fato, pelo censo de 2010 a ser realizado neste segundo semestre,

O setor secundário (atividade industrial) até hoje é de muito pouca relevância, atuando timidamente com fornecedor secundário (para outras regiões) de algumas poucas matérias primas de baixo valor agregado. A sua participação no PIB sequer atinge 15% da riqueza produzida em todo município.

As empresas comerciais aqui instaladas se destinam, basicamente, a vender à população local produtos industriais (e até agrícolas alimentares) de diversas formas e origens, produzidas, em geral, noutras regiões e é por assim dizer o carro chefe do PIB de Valença (atingindo cifras superiores a 70% do total do PIB).

Mas há sinais de que finalmente as coisas podem finalmente entrar nos eixos, provavelmente por piedade do criador, já que o povo mesmo, mergulhado na ignorância, na incivilidade e na cultura da esperteza, está longe de ter maturidade para saber reconhecer o que é de fato melhor para as suas vidas.

Somos ainda um país em que a arrecadação de tributos está muito aquém das necessidades de investimento do país (falta muito dinheiro para se investir em coisas fundamentais), mas que, ao mesmo tempo, os que pagam a conta (os contribuintes) são submetidos a carga tributária elevadíssima, pois são poucos (em relação ao total) os que efetivamente contribuem. É pouco dinheiro (os novecentos bilhões que o poder central arrecada) para o que a nação (de duzentos milhões de almas) precisa e, ao mesmo tempo, ainda são poucos os que efetivamente contribuem na formação dos tais novecentos bilhões de reais, que são arrecadados.

Mas, o meu desencanto com as gestões dos homens públicos é agora aliviado, quando sinto que finalmente quem nos administra tem preparo para o ofício que desempenha.

Obvio que o esforço é hercúleo, pois ainda somos um país de incivilizados e ignorantes, mas o barco chamado Brasil, na minha opinião, já começa a navegar em águas mais seguras.

Só mesmo piedade de Deus! Eu mesmo, já não esperava mais. Uma alegre surpresa!

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