RESUMO DA COLONIZAÇÃO BRASILEIRA EM RELAÇÃO À COSTA DO DENDÊ – 8ª. PARTE

CONCLUSÃO

E chegando aos dias de hoje, a forma política de administrar o Brasil ainda se mantem antiquada, desatualizada, anacrônica, com um presidencialismo autocrático e políticas institucionais e econômicas confusas (talvez por isso mesmo). Mas, não é só o Brasil: todo o continente americano, com exceção única da evoluído Canadá, que desde 1931 é parlamentarista, ainda está preso à essas amarras. Quem nos inspirou, os Estados Unidos (quem tentou introduzir o modelo americano de governar no Brasil, foi o notável jurista Rui Barbosa, ministro da justiça de Deodoro, no nascer da república, mas, pelas dificuldades que enfrentou junto à aristocracia rural (ignorante) terminou fazendo com que ficássemos no meio do caminho) adotam também um modelo presidencialista, só que lá os Estados (que compõem a federação) têm legislações próprias e autonomia administrativa, muito diferente do resto dos países do continente americano, incluindo o Brasil.

Lá, nos Estados Unidos, os juízes, promotores e policiais são da própria comunidade e com ela estão comprometidos. Já aqui, estes três tipos de autoridade estão sempre de passagem, referindo-me aos municípios do interior, esperando a promoção que os levariam a comarcas mais importantes, até que, finalmente terminem as suas carreiras na capital.

O confuso modelo não fica só nisto: aqui, é prerrogativa do executivo escolher, em lista tríplice, os que vão ocupar as funções mais elevadas do judiciário (ministros dos tribunais superiores e do supremo, na esfera federal, e tribunais de desembargadores, nos Estados) em clara interferência de um poder (o executivo) no outro (o judiciário). Nos regimes parlamentaristas, está função é do Chefe de Estado (presidente, rei ou imperador). Mas, aqui, o Presidente da República é também o Chefe de Estado, exercendo as prerrogativas não só na esfera do executivo como no de outros poderes.

Enquanto isto, e por conta do despreparo e erros históricos dos que nos governaram no passado, que mantiveram os pobres onde estão, nunca se preocupando em integrá-los econômico-socialmente, a explosão da violência juvenil, em que muitos dos nossos jovens pobres, originários, em sua grande maioria, de condições de extremada pobreza, são transformados em instrumentos de revolta, ignorância e brutalidade, quando julgam melhor tomar com as próprias mãos o que o berço e a infância pobre lhe negaram, e sem nenhuma cerimônia ceifam a vida de qualquer um, se alguma reação perceberem ou pressentirem, o que, a curto prazo, não tem solução, porque a violência é um efeito, natural, filho da miséria e da revolta, cujos padrinhos são a falta de educação e da incivilidade, a que foram apresentados ainda no berço.

Mas, não bastasse isso, é rotina, hoje em dia, nas emissoras de televisão, a exibição de novelas deseducadoras, no horário nobre (refiro-me à TV Globo, que nas novelas das nove da noite, faz um desfile permanente de personagens delinqüentes, mentirosos, desprovidos de caráter, que querem se “dar bem” a qualquer custo ou expediente), como se isto fosse uma coisa normal, ao invés de um reprovável desvio de comportamento.

Fora disto, dedicam-se as emissoras de tevê a veicular noticias sensacionalista, como os horríveis crimes do dia a dia, que se sucedem um atrás do outro, e invadem a nossa casa, pela obsessão televisiva de explorarem aqueles tipos de fato, em busca de audiência, o que angustia a vida de quem com eles não é familiar. Obvio, que uma pessoa esclarecida, e avessa a esse tipo de sensacionalismo, muda de canal ou desliga a TV. Mas, o povo mesmo, passa a absorver e dar audiência a aquele tipo de coisa horrenda, passando a encará-las como uma coisa normal, por assim dizer, familiar às suas vidas.

Este meu descontentamento não se trata de anseio de que se imponha, ou traga de volta, a censura prévia, mas que sejam definidos limites à obsessiva persecução de altos índices de audiência jornalística (ou novelística) com fatos deploráveis, de forma a deseducar o povo! Não podemos esquecer que as emissoras de televisão (como as de rádio) só estão no ar por concessão governamental e os educadores são uníssonos em dizer que o exemplo é muito mais eficaz do que um milhão de palavras orientadoras soltas ao vento. No meu entendimento, não importa se aqueles fatos deploráveis fazem parte ou não da vida dos mais infelizes. Não podemos nos esquecer de que temos uma nação jovem para educar, o que, convenhamos, não estamos fazendo bem, de jeito nenhum!

Até que ponto a televisão tem o direito de deseducar um povo, com exploração freqüente de exemplos julgados reprováveis pela moral e evolução civilizatória? Principalmente se considerarmos o fato de que o Brasil é um país em que mesmo os lares carentes, podem não ter nenhum tipo de conforto ou condições sanitárias, ou razoável alimentação, mas nunca deixam de ter um aparelho de televisão na sala, que invariavelmente estará ligado na novela do horário nobre!

As rádios, por outro lado, adoram fazer programações musicais de péssima qualidade, como lamentavelmente presenciamos aqui mesmo, em Valença, já que o publico, que buscam, é de baixo nível educacional. Aqui, em Valença, simplesmente não dá para ouvir as programações do dia (à noite melhoram)! São escolhidas por baixo, no que há de pior, embora sejamos um país riquíssimo em música popular de boa qualidade, que os jovens sequer conhecem. Na minha opinião, as rádios deveriam também ter obrigação de educar o nosso povo, principalmente por serem concessão do poder público e a maioria pertencer a políticos, que deveriam se preocupar mais com o Brasil que estamos construindo, do que propriamente ganharem dinheiro com a deseducação que veiculam!

Obvio que, além de intranqüilos em relação ao delicadíssimo estado de coisas do nosso país, independente da travestida guerra civil que assistimos ser travada entre a delinqüência e a polícia, em que frequentemente alguns profissionais da segurança pública, como se delinqüentes fossem, procuram tirar proveito pessoal, em uma nova versão de pilhagem e extorsão, que a história nos conta como norma pretérita para os vencedores, fazendo com que nos sintamo-nos inseguros não só em relação ao nosso dia a dia, mas também quanto ao futuro do país que estamos construindo para os nossos descendentes.

Hoje em dia, os governos que se sucedem (refiro-me até o governo passado) optam (melhor dizendo optavam) prioritariamente pela governabilidade deles próprios, em que era dado um lugar de destaque a quem lhes podia emprestar dinheiro, para que, assim, pudessem rolar a monumental dívida pública governamental (que em 31 de outubro último, já atingia 2,718 trilhões de reais). Felizmente, percebe-se agora no governo central atual uma outra preocupação, que serve de alento a quem tem retinas cansadas, com os despropósitos na maneira de governar, que até o governo passado nos dava a infeliz marca dos juros mais altos do mundo.

Em síntese, até muito pouco tempo atrás, mesmo que não soubéssemos (ou concordássemos), o setor financeiro era colocado no pedestal de atividade econômica mais importante, muito acima do setor produtivo, como se isso fosse possível!

Mesmo a atividade exportadora, que sempre trouxe dinheiro de fora para o país (desde os primórdios do Brasil colonial), e, em nações que estão dando um salto qualitativo, como a China, é o carro chefe de toda a preocupação econômica governamental, foi, no Brasil,  arduamente perseguida durante dezesseis anos por uma política esdrúxula de cambio flutuante totalmente inadequada a um país que precisa crescer economicamente (até pelo tamanho que a sua população atingiu), já que dificulta a capacidade competitiva dos nossos produtos no exterior e torna os produtos importados relativamente baratos em relação aos nacionais, o que, obviamente, engessa, também, o crescimento industrial verde-amarelo, embora todos saibam (pelo menos, os homens de governo deveriam saber) que uma competente política cambial atenta aos interesses nacionais, é uma importante ferramenta do desenvolvimento econômico e social de uma nação.

A bolsa de valores, que deveria ter uma função acessória na captação de dinheiro para o setor produtivo, virou durante dezesseis anos seguidos um centro sofisticado de jogatina e engenharia financeira, em que alguns construíram fortunas bilionárias, sem nunca ter sequer produzido um simples parafuso. A evolução da bolsa de valores, que subia ou que caía, por interesses dos que a manipulavam, era (infelizmente ainda é) reservada especial destaque nos jornais televisivos, todo santo dia, para o desencanto de muitos, que como eu pensam.

Os chefes de governo (que acumulam retrogradamente as funções de chefe de estado, por força histórica, herdada ainda do golpe militar de 1889) podem, até agora, ficar sossegadamente até oito anos seguidos (ao invés de substituídos normalmente, se as coisas não forem bem, por convocação de novas eleições pelo chefe de Estado, como fazem nações evoluídas no mundo inteiro), enquanto que a nossa opinião publica é influenciada por vigorosa propaganda e por políticas colaterais de cala boca, que garantam alguma renda aos muito pobres (felizmente, pois sem elas seria muito pior para a violência).

Doenças endêmicas, como tuberculose, hanseníase, dengue e leishmaniose ainda existem aos montes e crucificam anualmente milhões de irmãos pobres e ignorantes.

No entanto, os demógrafos anunciam, felizmente, que a população do Brasil, devido à constante queda dos índices de natalidade deverá se equilibrar em 2025, quando passaremos, a partir daí, a diminuir numericamente. Neste cálculo, aos índices de natalidade são contrapostos às taxas de mortalidade infantil, de mortalidade adulta, de infertilidade (por opção do casal ou orientação sexual, ou ainda de pessoas que se manterão solteiros sem filhos), etc. O que é certo é que, se os cálculos demográficos previsivos se mostrarem verdadeiros, será uma fato alentador para o futuro do país, a partir daquele ano, pois hoje somos um país de 200 milhões de pessoas, quando, pela atividade econômica que temos, deveríamos ser no máximo por volta de 60 milhões.

Para sairmos deste confuso quadro, precisamos fazer (keynesianamente) com que o país cresça com taxas médias elevadas (perfeitamente possíveis e necessárias já que somos tão grandes populacionalmente), criando novos postos de trabalho e, ao mesmo tempo dar prioridade à capacitação profissional (não apenas a educação formal de hoje) ao nosso jovem. Além disto, são necessárias medidas que a assustadora concentração de renda, pois de nada adianta que poucos se transformem em muito ricos, se a maioria permanecer miserável. Não nos esqueçamos que somos 200 milhões quando deveríamos ser ainda 60 milhões, pois 140 milhões economicamente quase não contam.

Temos, principalmente, e antes de qualquer coisa, de ter como meta o melhoramento dos índices de IDH, que retratam qualidade de vida ao invés de apenas o crescimento econômico. Precisamos entender que o crescimento econômico e enriquecimento da nação, como muitos equivocadamente situam como objetivo, é pura bobagem. As nações que tem a melhor qualidade de vida estão muito longe de serem as mais ricas. A simples riqueza não traz felicidade às pessoas, individualmente, nem a nenhuma nação. O foco tem que ser o que prega o IDH! Não apenas a riqueza!

Mas, há sinais de que finalmente as coisas podem finalmente entrar nos eixos, provavelmente por piedade do criador, já que o povo mesmo, mergulhado na ignorância, na incivilidade e na cultura da esperteza, em que foi mergulhado, está longe de ter maturidade para saber reconhecer o que é de fato melhor para as suas vidas.

Somos ainda um país em que a arrecadação de tributos está muito aquém das necessidades do país (falta dinheiro tanto para se investir em coisas fundamentais para o futuro como para o custeio de hoje), mas, ao mesmo tempo, a carga tributária para os que pagam a conta (os contribuintes) é elevadíssima, pois são poucos (em relação ao total) os que efetivamente contribuem (muito). É pouco dinheiro (os novecentos bilhões que o poder central arrecada) para o que a nação (de duzentos milhões de almas) precisa e, ao mesmo tempo, ainda são poucos os que efetivamente contribuem na formação dos tais novecentos bilhões de reais, que são arrecadados.

Mas, para enorme surpresa minha, o governo Dilma, muito diferente dos seus cinco antecessores (de João Figueiredo pra cá) tem mostrado que sabe exatamente o que fazer para corrigir o descaminho que todos aqueles despreparados, que a antecederam, nos meteram! Não posso deixar de reconhecer os seus méritos, refiro-me à Dilma, nestes dois anos em que está à frente do nosso destino.

Obvio que tanto ela, como o seu extraordinário ministro da fazenda (ele quando fala ninguém dá nada, mas as suas medidas são provas vivas de que tem familiaridade com a teoria econômica), como o presidente do Banco Central (que parece que é um craque também) assim como o ministro da educação e da saúde, têm um tarefa hercúlea, pois, hoje, nos tornamos um país de incivilizados e de ignorantes (independentemente do peso nas costas de 140 milhões de brasileiros que precisam ser integrados sócio-econômico-educacionalmente). Mas, na minha opinião, o barco já saiu do quebra mar e começa a navegar em águas mais seguras em direção à modernidade.

Eu mesmo, já não esperava mais e achava que ia morrer vendo um país sem solução, como nação desenvolvida. Uma alegre surpresa, essa mulher, dona Dilma, em nossa vida! No ano que vem, nesta minha coluninha, eu explicarei porque me tornei seu admirador, já que agora não há tempo. Até no símbolo do governo (país rico é aquele que não tem pobreza) ela mostra que sabe o que diz!

Quanto à nova prefeita de Valença, parabéns pela vitória eleitoral e se quiser ser vitoriosa administrativamente, não vá na conversinha de fazer obras soltas sem vinculação com o desenvolvimento humano (como os seus antecessores faziam). Eleja como meta(s) principal(is) medidas que venham melhorar o IDH. Preferencialmente se torne obsessiva em fazê-lo, para não desperdiçar tempo, recursos materiais e a oportunidade que Deus está lhe dando. Quando lhe propuserem alguma coisa, faça, pra você mesmo, as seguintes perguntas:

1) vai ser bom para a minha administração (sob o aspecto político)?;  2) vai ser bom para a comunidade (há realmente necessidade?)?;e       3) vai melhorar o IDH?

Se não passar nos três provas, não faça!

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