VERSOS POÉTICOS – Diferente do Poeta Bandeira

  • As minhas mãos estão vazias,
  • Meu peito deserto,
  • O céu escuro, sem viva estrela,
  • E a madrugada já quer
  • Ir embora.
  •  
  • Os galos, em fervoroso ritual,
  • Cumprem da sua obrigação
  • De avisar ao mundo,
  • Com matemática frequência,
  • Que é quase chegado um novo dia,
  • Quando, não tenho perto os que gostam de mim,
  • Ao invés dos que me são indiferentes.
  •  
  • Se a indesejada das gentes me chegar logo
  • – dura ou caroável -,
  • Diferente do poeta
  •  – Bandeira –
  • Não lhe direi alô, iniludível.
  •  
  • Ao contrário, lhe rogarei para voltar noutro dia.
  • Para ter um pouco mais de paciência,
  • Tentando justificar que o meu dia não foi rendoso,
  • Tampouco os sortilégios da noite se cumpriram:
  • O campo não está lavrado;
  • A casa não está limpa;
  • A mesa não está posta; e…
  • Não há quase nada em seu lugar.
  •  
  • Ao me olhar no espelho, de manhã, logo mais,
  • Darei de cara com um estranho
  • – só por dentro a fidelidade persiste -.
  • Preciso antes encontrar a parte que me fugiu,
  • Me abandonou,
  • Para podermos seguir juntos, enfim completos,
  • Quando poderá voltar,
  • E com ela nos levar,
  • Se ainda o desejar!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *