VERSOS POÉTICOS – Nem Minas, Nem Europa, Nem Graciosa (Só a Timidez de Volta)  

  • Que fique, no ar, a reticência.
  • Que fique, em mim, conveniente e diplomático, o nada pessoal.
  • Que deixe tudo como está.
  • Que até agradeça, por não ir adiante, me dizendo com palavras:
  • Que o alimento do seu sonho se esfumaça em risco e cor;
  • Que não faria sentido contar estrelas no céu, ao meu lado; e
  • Que ir a Minas, Europa ou Graciosa, planos não tem que me inclua.
  •  
  • E,
  • Não se preocupe,
  • Se nos meus versos quase foi
  • A mulher que eu quis amar.
  • Ao me aperceber,
  • Ao me despertar,
  • Ao me enxergar,
  • Rimei-lhe, em rima rica,
  • Como rainha (soberana absoluta),
  • Como sobrinha (quase filha, na hierarquia afetiva),
  • Como passageira (com vocação pra posseira)
  • Da minha afeição, do meu coração. 
  •  
  • E,
  • Ontem mesmo,
  • Ao encerrar a não terminada conversa,
  • O vazio voltou ao controle do meu sentimento,
  • Neutralizando o resto da aspiração que houvera.
  • Logo, em seguida, lembrei de chamar, pra perto de mim, de volta,
  • A timidez
  • De quem, já havia me desembaraçado, quando conheci você –
  • E pedi que me perdoasse a ingratidão do súbito abandono.
  •  
  • Ela,
  • A timidez
  • Diferente de você -,
  • Ouviu-me primeiro, deixando-me falar à vontade.
  • Em disciplinado silêncio, não me interrompeu.
  • Depois que terminei,
  • Ao chegar sua vez,
  • Tomou da palavra, e me disse:
  • Tudo bem, companheiro;
  • Eu também estava sentindo a sua falta;
  • Não demoro muito, estou chegando; e
  • Vê se, desta vez, não esquece nunca mais
  • Que é mais fácil, é melhor, pra você,
  • Não tentar viver sem mim.
  • Um pro outro, fomos feitos.
  • Faz tempo, nos damos bem.

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