VERSOS POÉTICOS – Paixão à Primeira Vista Praiana

  • Não sei se lhe diga, paulista.
  • Não sei se lhe confesse, baiana!
  • Fiquei, quando lhe vi,
  • De longe lhe admirando:
  • No seu tornozelo, o retilíneo, que acho bonito,
  • No seu rosto a expressão que gosto…
  • Então percebi, em você paulista-baiana,
  • Da vaidade o traço
  • – indispensável à mulher que me atrai –
  • Indo do hipoglós nas dobras do seu corpo,
  • Ao batom rubro na sua boca morena.
  •  
  • Depois procurei chegar mais perto,
  • Pra ver se ainda melhor lhe via.
  • Mas sequer me percebeu,
  • De mim não se apercebeu, sequer…
  • E não sei muito bem ir à frente, nessas horas,
  • Ganhar no bico, no falar bem.
  • Mas, em mim, a sua imagem ficou.
  •  
  • Em casa, tolo, a cara tentei mudar
  • Pra ver se na próxima vez, quem sabe, aos seus olhos melhoro
  •  E finalmente, em mim, presta atenção…
  • Conhecer-te melhor, baiana-paulista, eu gostaria.
  • Saber do seu mundo, falar do meu.
  • Poder até contar vantagem:
  • Dizer que gosto do mar, do campo e da grande cidade;
  • Que, no carnaval, da Mangueira – estação primeira – sou escravo,
  • Mas me emociono quando o azul  da portela toma conta d’avenida ;
  • Que meu coração já é recauchutado,
  • Já é de Segunda mão;
  • Que, na Graciosa, sonho bom, em forma de terra,
  • Vim viver agora.
  •  
  • Tempo bom, completo, seria se, pra mim, tempo pra mim tivesse.
  • Que, de agora em diante, estes lados de cá, pra você,
  • Muito mais valessem a pena.
  • Faça um esforcinho, paulista, me empreste seu ouvido.
  • Faça uma concessão, baiana, me empreste seu coração.
  • Vá adiante, me conte do seu hoje,
  • Dê-me trela, fale do seu amanhã.
  • Deixe-me chegar, manso, prometo, sem nenhum estandarte.
  • Prometo, também, contar das coisas que sabe que gosta.
  • Prometo, também, lhe ouvir nas coisas que não sei gostar. 

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